Empregos

Pelotas recupera mais de 800 postos de trabalho em 2021

Em números, serviços e comércio foram os que mais empregaram, mas a taxa de crescimento maior ficou com a construção civil

Jô Folha -

A chegada da vacina de proteção à Covid-19 que possibilitou a flexibilização de decretos sanitários em 2021 contribuiu para um dado importante e que movimenta toda a economia: a geração de empregos e renda. Com mais admissões do que desligamentos, o ano fechou com 2.676 novos postos de trabalho, superando as demissões ocorridas no auge da pandemia.

O saldo positivo é de 812 vagas. Serviços e comércio foram os que mais empregaram. Já o percentual maior entre abertura e fechamento de vagas ficou na construção civil, com 18,55%. Para especialistas da área, mesmo com a onda de contágios da Ômicron, o desempenho no mercado de trabalho do município deverá se manter em 2022.

O pesquisador em economia do Escritório de Desenvolvimento Regional da Universidade Católica de Pelotas (EDR/UCPel), Gustavo Frio, avalia que a retomada de todas atividades, ainda que com uma nova onda de casos de Covid-19, tende a manter a economia aquecida. Para o especialista, o resultado do ano passado compensou o saldo negativo de 2020.

A expectativa é boa para 2022, uma vez que não há uma estimativa, a curto prazo, de que o coronavírus cause problemas que provoquem uma nova retração. "Uma vez empregado, a renda da família aumenta, o consumo também e há mais busca por serviços, o que faz movimentar a economia da cidade."

Em relação aos dados apresentados pelo Caged, o pesquisador acredita que o crescimento no setor da construção civil ainda seja um efeito da pandemia, quando o isolamento social sugeriu investimentos ou novas aquisições de imóveis.

Um exemplo dessa demanda é a relação de vagas do Sine. Para esta terça-feira são dez as ofertas divulgadas pela FGTAS/Sine que vão de eletricista de instalações industriais, passando por operador britador até pedreiro. O presidente do Sindicato do Trabalhadores Construção Civil em Pelotas, Dario dos Santos, diz que vem acompanhando o dia a dia do setor no município e, com certeza, é um dos mercados que emprega bastante trabalhadores. "Creio que emprega entre quatro a cinco mil trabalhadores", estimou.

Eduardo Júnior Pavão Vieira, 30, é um deles. Natural de Cruz Alta, foi em Pelotas que ele conseguiu emprego formal. Para isso, precisou mudar de ofício, uma vez que o de mecânico não estava garantindo a renda do mês.

Agora como pintor, no que está sendo considerado o prédio mais alto da cidade, no Parque Una, não pensa em mudar. "Está muito difícil se manter no mercado de trabalho e quando isso é possível, é uma tranquilidade." O mecânico viu na construção civil um segmento em ascensão e, por isso, aprendeu a trabalhar com pintura de prédios. "O importante é estar trabalhando."

De carteira na mão

Assim como Eduardo Vieira, a coordenadora da franquia Subway, da rua 15 de Novembro e no Shopping Pelotas, Lutiane Ramires, 33, está entre as 60.849 pessoas com carteira de trabalho assinada em Pelotas. Ela conta que ficou um tempo parada ano passado, após tentar novos horizontes, até que em dezembro de 2021 foi convidada a retornar ao antigo trabalho.

"Ter um emprego formal é muito mais que estabilidade. É saber que tu vai se dedicar e terá retorno por meio dos direitos garantidos." Ela está entre os profissionais que enfrentou a crise provocada pela pandemia, que afastou os clientes presenciais, mas que, ao mesmo tempo, acompanhou o crescimento das tele-entregas. "O trabalho formal te permite fazer planos, ter projetos e investir em bens", considerou.

Carro-chefe

No comparativo entre admissões e desligamentos, o comércio ficou em terceiro, com um saldo positivo de 4,03%, percentual que para o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Pelotas, (Secpel) representa quase uma reposição do período em que os empresários fecharam as portas em função da pandemia. O vice-presidente do Sindicato, Célio Vieira, considera os resultados positivos. "A tendência é acompanhar outros setores, como o primário. Se este reagir, o comércio e o serviço vão acompanhar o desempenho", observou.

Diferentemente de opinião de Vieira, o pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Organizações e Mercados - Economia Aplicada, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Marcelo Passos, coloca o comércio da região como o setor econômico que "puxa" a renda e a geração de empregos de todos os outros setores. "Quando o comércio reage, todos os outros setores têm aquecimento, como observamos na construção civil."

Mas Passos é cauteloso em falar sobre futuro. Para ele, a retomada do emprego é alentador, mas ainda é cedo para dizer se será uma tendência, uma vez que no início do segundo semestre de 2021 houve boa reação da economia. Mas no final do ano passado e no início de 2022, houve retração. "A tendência é termos uma atividade econômica andando de lado, pois a taxa de crescimento prevista para este ano é baixa. Se crescer de 1% a 2% já é para comemorar. Isto porque os juros seguem altos e ainda há desemprego."

Preferência

No perfil analisado pelo Caged, na corrida por um espaço no mercado, com carteira de trabalho assinada, os homens superam as mulheres em 24,55%, no total. Mas quando especificado: trabalhadores dos serviços, vendedores do comércio ou lojas e mercados, a preferência é delas. Dos mais de 28 mil empregados, a maioria está na faixa etária entre 18 e 24 anos, com 28,6%. As pessoas com Ensino Médio completo levaram grande parte das vagas, com 84,83% do total de empregados.

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